Cronologia miliciana

23h e 53m - Atendo o telefone(de um lado da rua para o outro) - "Vem cá rápido, que estão a assaltar a casa do lado!"
23h e 54m - Pergunto - "Porque é que estão descalços?" - Respondem os outros dois milicianos - "Para não fazer barulho."
23h e 55m - Chega, por acaso o quarto miliciano e avançamos em grupos de dois.
23h e 56m - Já dentro do terreno da casa, vemos as janelas arrombadas e vejo uma luz de um telemóvel dentro de casa.
23h e 57m - Agrupados de novo, fazemos barulho para ver se saem lá de dentro. O imbecil cai na armadilha e sai de casa a correr, chove-lhe em cima um taco de golfe e uma pedra e eu, num grande voo ao estilo banda desenhada.
Já não dou conta das horas - Apanhado o primeiro, os outros três conseguiram fugir. Felizmente, o larápio, cansado de tanto cair, num terreno tão acidentado, tal como os polícias referiram, começou a "bufar", entre "ais" devido às quedas, os nomes dos outros e outras informações.
O aparato foi tal, que se montaram bloqueios de estrada, nas terras em volta.

N.D.R. - Se fiz o que fiz na casa dos outros, aviso já para não virem à minha.

O "pobrezinho" babou-se para cima de mim

Numa grande dica de bricolage e mestria doméstica, ao estilo Martha Stwart, anuncio a toda a minha audiência que o sangue da roupa sai muito bem com umas gotas de água oxigenada!

Muito obrigado pelo vosso aplauso

A "Vigorosa Milícia" ganhou coragem e foi atrás dos gatunos. Os três vigorosos munidos de tacos de golfe e pedras e eu de mãos a abanar, cercámos a casa arrombada e fizemos barulho para os larápios saírem lá de dentro. Saiu o primeiro e começou logo a sofrer das intempéries que se passam cá por estes lados, parece que chovem tacos de golfe, pedras e até homens. Depois, o pobrezinho, não se conseguia adaptar ao terreno acidentado, estava sempre a cair e aquando da chegada da polícia, continuava a cair e foi assim até de madrugada (pernas traiçoeiras, as do garoto).

E assim venho agradecer o vosso aplauso e palavras de incentivo e apoio da coragem demonstrada no apoio a esta terra e às suas gentes.
No entanto, aqueles que não agradecem e não me presenteiam com valiosas oferendas, aviso já que não me arrisco a proteger as vossas casas.

Mais tarde, continuarei os relatos e teorias da queda do "pobrezinho" e com o relato cronológico da fatídica noite. Até mais tarde!

Teoria da queda


Há quedas grandes e há quedas pequenas e há quem nos empurre. Podemos ser, nós próprios a descuidar-nos e a cair ou podemos-nos atirar de propósito.
O palerma que cai, raramente acha graça, mas os que vêm cair, riem-se. Por estúpido que pareça a queda é uma coisa gira. E porquê? Porque ninguém cai da mesma maneira.
Quanto mais alto se sobe, mais alta é a queda. Não sei se devamos insistir na não queda, porque se a queda for pequena, deve doer menos, quanto mais alto subirmos, mais deve doer.
Esta treta toda filosófica, típica de um livro de filosofia de décimo ano, serve para dizer que sempre gostei das quedas do Evil Knievel e do Jonny Knoxville, mas continuo a achar que as quedas são para os outros.

A vida do Tó

Num sítio tão pequeno como o Bom Sucesso, a vida das outras pessoas é mais importante que a entrada do Quirguistão numa possível 3ª guerra mundial. Aqui vale tudo, desde o grau de parentesco até à cor das cuecas.
Esta malta com quem me ando a dar agora, sabe mais que o jornal regional.
E contam-me tudo!
Mas há um problema. Eu esqueço-me...
Talvez os macacos do meu sótão achem a vida dos outros é informação dispensável e deitem tudo fora. O que acontece, é que as pessoas se fartam de me recordar os graus de parentesco, para me conseguirem explicar a quem se referem e assim vou ficando para trás.
Das duas uma. Ou não sou um bom autóctone, ou o meu sub-consciente, está-me a proteger e a recusar o eremitismo. Se assim for, tudo bem. Estava com receio de me ter tornado ermita, visto que não tenho suportado muito bem os aglomerados de pessoas.

Não dá para tudo...

Bem sei, que tenho escrito pouco neste buraco da Internet. Sei também, que os buracos são fáceis de esquecer, mas tudo tem uma explicação, tenho dedicado algum tempo ao meu iate e isto de andar a pintar e sempre a controlar a meteorologia, não tem sido fácil.
No entanto, prevejo o lançamento ao mar para breve.
Tenho apenas uma preocupação na organização da celebração... Dado o tamanho do barco, talvez não seja apropriado o arremesso de uma garrafa de Champagne... Estou a pensar, talvez, numa Sagres Mini ou numa miniatura de conhaque ou licor Richard, agora que vêm ai os emigrantes.

O Meu Novo Amigo

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Este é o Fulgêncio, o meu novo amigo. Apareceu hoje no meu iate.

A Verdade da Internet

Desde já peço imensa desculpa!

Eu sei que vai ser um choque para alguns, mas nem tudo o que escrevo é integralmente verdade...
Não fiquem tristes, se repararem bem, não há verdade quase em lado nenhum, e quando há todos achamos que é aborrecida.
Gostamos dos filmes do Indiana Jones, sim, gostamos. Porquê? Porque é tudo mentira. Não gostamos dos filmes do Manoel de Oliveira, porque é tudo verdade. Muito enfadonho.
Não vivemos sem mentira. É isso que dá emoção.

Isto tudo não quer dizer que sou mentiroso, só quer dizer, que romanceio um bocado.

Com este meu texto, só quero alertar para que estejamos atentos, lá por as coisas estarem na Internet ou na televisão, não quer dizer que é verdade. Mas se virem, em dois ou mais lados, a mesma coisa, já é verdade ou pelo menos anda lá perto.
Recentemente, recebi um e-mail muito bonito, mas totalmente falso. Dizia assim -Concurso no Hirshorn Modern Art Gallery
A regra era simples, cada artista apenas podia usar uma única folha de papel...- e depois tinha umas fotos das obras de arte.
Não era nada disso, são todas de um artista dinamarquês chamado Peter Callesen. Sorte a minha conhecer o artista, se não, já tinha engolido a história. A galeria nem existe!
(Isto foi só para dizer que sou culto o suficiente para conhecer o Callesen.)