O estado das coisas

Quando eu era adolescente, diziam que pertencia à Geração Rasca, mas quanto a mim, acho que a geração anterior é bem pior. É a geração da "chioespertice" por excelência, em que contornar as vias normais de fazer as coisas é a ordem do dia, mesmo até, que seja prejudicial para os próprios.
O problema é que grande parte das empresas de Portugal (as tais micro, pequenas e médias empresas que são o pilar do nosso país) são geridas por esta geração. Muito provavelmente esta geração anda a estoirar as empresas crias nos anos oitenta pelos seus pais. Agora os meninos são empresários, então, toca de estoirar com esta trampa. São aqueles que só chegam as 11 da manhã porque são patrões, aqueles que ligam horas a fio para os amigos e dizem que o fazem porque é do telefone da empresa, mesmo que no final das contas sejam eles a pagar. São aqueles que exigem aos empregados que vistam a camisola da empresa quando eles próprios não a vistam.

E depois há os outros que têm uma mini micro pequena empresa, onde nunca foram quiseram crescer nem investir, onde mal há trabalho para uma pessoa, mas que agora com a chegada dos ucranianos, por meia dúzia de euros, conseguem explorar um empregado e de repente são patrões.

Aqueles que gerem bem os seus negócios que tratam bem os empregados, estão em vias de extinção e são insignificantes e só se fala deles uma vez por outra num documentário numa qualquer madrugada da RTP2, tal e qual o Lince Ibérico, os Urubus ou até os Gambozinos.

Um dia, far-se-à uma manifestação cheia de hippies para os lembrar.

Mais do mesmo??

Dia 2 de Fevereiro comecei a trabalhar numa agência de publicidade em Santarém. Impecável. Tudo o que eu achei que me faltava aprender era num sítio como este que eu iria ganhar esses conhecimentos.
Só que...
Começou logo no primeiro dia a não ser do meu agrado. Fiquei 40 minutos à porta da empresa à espera que alguém aparecesse. Ora, se eu me tinha comprometido que começava às 9 horas, contava que houvesse gente que me acompanha-se. Lá apareceu uma secretária para me abrir a porta, mas as pessoas responsáveis por me dar trabalho só apareceram quase às 11 horas e foi preciso a secretária avisá-los que eu estava à espera. Para ajudar à festa fiquei instalado, sozinho, numa sala gélida e fiz o trabalho que me incumbiram para o dia todo em 15 minutos.
Ao que parece venho substituir um designer que não era muito produtivo. E agora eu penso, se ele nem conseguia fazer num dia o que eu fiz em 15 minutos, ele não era pouco produtivo, acho é que não existia.
Resumindo, não me dou bem com este ritmo. Se vou ficar a coçar os ditos a maior parte do dia acho que vou ficar com umas feridas bem feias.