O estado das coisas

Quando eu era adolescente, diziam que pertencia à Geração Rasca, mas quanto a mim, acho que a geração anterior é bem pior. É a geração da "chioespertice" por excelência, em que contornar as vias normais de fazer as coisas é a ordem do dia, mesmo até, que seja prejudicial para os próprios.
O problema é que grande parte das empresas de Portugal (as tais micro, pequenas e médias empresas que são o pilar do nosso país) são geridas por esta geração. Muito provavelmente esta geração anda a estoirar as empresas crias nos anos oitenta pelos seus pais. Agora os meninos são empresários, então, toca de estoirar com esta trampa. São aqueles que só chegam as 11 da manhã porque são patrões, aqueles que ligam horas a fio para os amigos e dizem que o fazem porque é do telefone da empresa, mesmo que no final das contas sejam eles a pagar. São aqueles que exigem aos empregados que vistam a camisola da empresa quando eles próprios não a vistam.

E depois há os outros que têm uma mini micro pequena empresa, onde nunca foram quiseram crescer nem investir, onde mal há trabalho para uma pessoa, mas que agora com a chegada dos ucranianos, por meia dúzia de euros, conseguem explorar um empregado e de repente são patrões.

Aqueles que gerem bem os seus negócios que tratam bem os empregados, estão em vias de extinção e são insignificantes e só se fala deles uma vez por outra num documentário numa qualquer madrugada da RTP2, tal e qual o Lince Ibérico, os Urubus ou até os Gambozinos.

Um dia, far-se-à uma manifestação cheia de hippies para os lembrar.

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